quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Sobre minha viagem à Nova Iorque

Statue of Liberty

Central Park

Rapaz propondo casamento na árvore de Natal em frente ao Rockefeller Center

Time Square

Lá vamos nós, o post tão adiado sobre minha viagem à Nova Iorque. Como viajei uma semana antes do Natal, a correria foi geral e o post só está saindo um mês depois. 

Antes de mais nada, essa viagem saiu super por acaso. Uma amiga minha comprou as passagens e não tinha companhia, aí resolvi ir também porque as passagens de avião estavam baratas. Depois de tudo acertado, minha host me deu até a sexta feira off (viajamos no final de semana), e essa minha amiga decidiu que não ia mais. Acabei indo com uma menina que nem é tão próxima, e valeu muito a pena. O motivo? Nova Iorque no Natal é única. 

Se você nunca visitou a cidade, o fim de ano é a melhor época para ir. No primeiro dia fui à Ponte do Brookling, o que rendeu uma caminhada muito mais longa do que eu esperava. Nova Iorque tem metrô para tudo o que você precisar, então raramente você vai pegar um táxi. Se quiser economizar, é só pegar um metrô e andar algumas quadras, além de mais dinheiro no bolso você perde uns quilinhos. Porque aliás, essa cidade não tem gente gorda. Sério. Passei quase 3 dias lá e não vi nenhum obeso, não mesmo. A dúvida agora é se a cidade faz você emagrecer, ou se as imensas quadras dão alergia aos gordinhos...

Mas voltando ao assunto do táxi, você não vai querer pegar um se puder evitar. Porque o trânsito daquele lugar é bravo. Para quem conhece São Paulo, é daquilo pra pior. Quando peguei a shuttle (van) do aeroporto para o hotel, nem acreditei: o trânsito quase não se movia, em parte pela quantidade imensa de carros atarracados em uma ilha repleta de ruelas estreitas, em parte pelos pedestres que se atiravam na frente dos carros para atravessar a rua. A área mais sul, onde fica a Time Square, é uma loucura. Mas conforme você se aproxima da parte norte da ilha, onde tem o Upper East e o Upper West Sides, o Central Park, as coisas se acalmam. É uma área mais nobre da ilha, e vale muito a pena caminhar pela Madison Av. e ver as boutiques de roupas, cafés, etc. Dizem que o Soho, bem ao sul, também é legal de andar, mas lá eu não tive tempo de ir.

Voltando ao meu itinerário, saindo da ponte do Brookling fomos à Chinatown, que é um dos melhores lugares para comprar bugigangas: camisetas de NY, relógios, bolsas Louis Vuitton, Chanel, etc. O mercado negro anda à solta por lá, é só você fazer cara de bobo que as pessoas se aproximam de você oferecendo todo tipo de mercadorias ilegais (e falsas, mas vou dizer, réplicas muito boas).

Detalhe: tive uma intoxicação alimentar por conta de uma pizza que comi logo que saímos pra passear, e as compras na Chinatown foram intercaladas com paradas em lanchonetes para eu chamar o HUGO (vulgo vomitar). Mas persisti e me diverti: o bairro é repleto de sinais em chinês, e óbvio, poucos vendedores falam inglês fluente. Essa China há de dominar o mundo.

Saindo da Chinatown, fomos encontrar com uma das minhas amigas que moram em Manhattan. Comemos em um restaurante próximo ao Rockefeller Center e vimos as decorações de Natal. A árvore de Natal na frente do prédio é linda e enorme. Ao lado, tem uma pista de patinação. Mas a fila era tão imensa que a gente desistiu. O ponto alto foi a multidão se abrindo num espaço ao redor da árvore: um rapaz se ajoelhava e pedia em casamento uma menina (vejam as fotos!), super emocionante. Ela disse sim (e tem como não dizer?) e saiu mostrando o anel de diamante pra todo mundo (cá entre nós, era lindo).
Depois seguimos para a Times Square, cheia de lojas e luzes, e depois para o hotel, para a cama, e para o sono.

No sábado, andamos no Central Park, na Madison Av., passamos na Ladurée (loja que vende macaroons franceses - espécie de biscoito que é chique, caro e delicioso), vimos o Plaza Hotel (onde gravaram vários filmes e seriados, como o Esqueceram de Mim, Perfume de Mulher, Sex and The City, Friends, Gossip Girls, Bride Wars, e a lista continua). Para quem nunca foi ao Central Park, uma dica que deixo é reservar pelo menos umas 4 horas para vê-lo. Outra dica é pagar uma das carruagens que andam por dentro do parque mostrando os pontos turísticos (algumas esculturas). Eu resolvi andar o parque, e ele simplesmente é imenso. Não consegui achar nenhum dos pontos que eu estava procurando, e acabei não tendo tempo de ir ao MET (Museu Metropolitano), o único museu que eu queria ir ver (e para o qual são necessárias no mínimo mais 4 horas - a coleção é gigantesca). Esse vai ficar para uma próxima oportunidade.

Sábado à tarde fui jantar na casa da host family de uma amiga minha que mora lá. Houve uma chuva de comida e bebida: o casal é irlandês, e quiseram fazer uma ceia com todos os amigos antes de irem passar o Natal na Irlanda. Uma delícia. À noite, fomos numa balada (o que não vale a pena se você tem o tempo curto como eu, fui mais para acompanhar uma amiga). 

Domingo, só deu tempo de acordar cedo (pra quem foi dormir às 4 e levantou às 8, tenho que dizer, foi trágico) e ir ver a Estátua da Liberdade. Acabei indo sozinha, porque minha amiga estava muito cansada. E vou dizer: eu estava morta, só, e estava um frio de doer os ossos na balsa (levem luvas), mas valeu a pena! Peguei a balsa em New Jersey City, o que acabou sendo uma ótima escolha, visto que as balsas vindo de NY estavam lotadas. Também tive que esperar 40 min para entrar na balsa, porque perdi o primeiro horário. Outra coisa, o pedestal e a coroa da estátua estarão fechados pelo próximo ano, pois estão em reforma. Mas dei a volta na estátua, e ainda acompanhei uma guia que contou sobre a história e contrução do monumento, foi muito interessante. Curioso?

- A estátua é oca por dentro, e você consegue ver as junções das placas;
- Ela foi construída em partes, como um presente da França;
- Foi feita em cobre, porque é uma material mais leve e maleável;
- Por ser feita de cobre, ela era acobreada quando construída, e a oxidação do cobre com o tempo tornou a estátua azulada, o que foi feito intencionalmente, pois a oxidação dá uma certa proteção à estátua e a faz parecer mais velha do que é;
- Ela foi construída na França, desmontada, transportada por um navio, e remontada nos Estados Unidos;
- Os americanos não a queriam, e só depois que a estátua chegou é que foi construído seu pedestal;
- Quando montada, era a construção mais alta de Nova Iorque. Hoje em dia isso é algo difícil de se imaginar, visto que muitos prédios são mais altos que ela, o que faz com que perca muito de sua imponência. Mas foi da construção da estátua que se desenvolveu muito do que se sabe hoje sobre engenharia civil.

Depois do tour e das fotos, não deixe de visitar a loja de souvenirs, eles têm preços bem acessíveis, e se você estiver congelando as entranhas como eu estava, tem uma lanchonete com um chocolate quente muito bom :)

O post ficou enorme, então vou encerrar por aqui. Por favor, comentem, perguntem, façam sugestões, que assim, não desanimo de escrever.

Até a próxima!


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sobre a mudança de layout

Ah sim, o motivo dos corações não é porque eu esteja apaixonada. Dia 14 de fevereiro é Valentine's Day! Marquem aí: corações à espera!

Epílogo de uma viagem e o Recomeço de um ano!


Sim, aqui vai: o primeiro post de 2012!

Antes de mais nada eu gostaria de comentar o epílogo da minha viagem a Telluride. Como minha host comprou minha passagem depois de comprar a da minha host family, eu acabei voando em vôos separados, mas junto com os vizinhos (sim, eles e os 4 filhos vieram conosco e dividimos a casa). Então os vizinhos gentilmente me levaram para o aeroporto na ida, e fizemos todos os vôos juntos. Eis que na volta descubro que o último vôo era diferente: eu sairia de Denver rumo a Houston uma hora e meia antes que eles. Conclusão: meu host, que havia chegado em casa de uma viagem  de duas horas dirigindo, mais quatro horas voando, veio me buscar no aeroporto (que fica há meia hora de casa), assim eu não teria que esperar uma hora até que os vizinhos chegassem. Fiquei tocada. Nessas horas eu penso: que coração! Após conviver com eles por quase 20 meses, eu realmente sinto dor só de pensar em partir... e agora que 2012 já começou, também se inicia minha contagem regressiva para casa. Que frio na barriga! Vamos deixar isso para outro post.

A parte maravilhosa de janeiro é que minhas kids voltaram às aulas, e como ainda não iniciei meus cursos estou tendo umas semaninhas abençoadas. Ótimo momento para a reflexão sobre o ano que se passou, o que conquistei, e o que ainda tenho que fazer acontecer! E dentre minhas preocupações, eu tinha que escolher que cursos fazer nesse semestre, antes de fazer as malas rumo à terra tupiniquim. E eis que encontrei os cursos perfeitos: meu college oferece cursos on line sobre publicação de textos e editoração, justamente as áreas que eu estava buscando! Me matricular nos cursos desse ano: checked!

Essa é uma coisa que adoro sobre o Ano Novo: anos novos, cursos novos, rotinas diferentes, possibilidades! É um rito: todo ano eu preciso sentar e fazer uma lista de objetivos para buscar. E tento sempre concretizar objetivos maiores em pequenas atitudes: quero perder peso? Não vou comer carboidratos após as 6 da tarde. Vou voltar para o Brasil? Vou fazer uma lista de lugares que ainda quero conhecer nos EUA e orçamentos das viagens. E eu procuro toda a semana revisar esses pontos, e se consigo atingir algum, já passo para outro dentro do mesmo tema. E me pego pensando: 2012! Eu realmente me lembro de quando o ano 2000 virou, e eu mal podia imaginar onde eu estaria dali a 10 anos. E como o tempo passou! Será que eu vou ter tempo de fazer todas as coisas que eu quero?

Quer uma dica? No fim do dia, pouco importam os lugares que você visitou, mas quem esteve lá com você. Pouco vale o dinheiro que você tem, se você não tem tempo para gastá-lo nem amigos com quem dividir seus momentos. O sucesso não tem um gosto tão doce quando você não sabe ao certo porque trabalha tanto e o porquê vive.

E fica a pergunta, o que realmente te fez feliz?

A verdade liberta sim. Mas é preciso encontrá-la.

Desejo a todas as au pairs um ano maravilhoso, e que aproveitem cada segundo desse ano, que na terra do Tio Sam passam mais rápido que trem bala :) E às futuras au pairs, que encontrem as melhores famílias, as mais doces crianças, e uma experiência arrasadoramente incrível!

sábado, 31 de dezembro de 2011

Diretamente de Telluride, Colorado, desejo um Feliz Ano Novo à todos!!!


Isso mesmo, estou postando diretamente de minha primeira viagem à neve. Foi tão emocionante, ver a terra coberta de branco pela primeira vez, os pinheiros verdes saltando como agulhas das montanhas, casinhas de madeira com a fumaça subindo pela chaminé... um momento mágico.

Partimos de The Woodlands no dia 26 de dezembro e ficaremos aqui até dia 01 (amanhã). Sim, vim com minha host family, o que me leva a pensar como eles são realmente legais comigo (tome nota, quando for escolher sua família, pergunte à atual au pair se eles a levam em viagens, e como é). Nós viemos para Telluride no Colorado, um povoado no meio das montanhas a uma hora de vôo ao sul de Denver, mais 3 horas dirigindo (isso aí, longe pra burro!). A vantagem? É uma estação de esqui bem menos frequentada que lugares famosos como Aspen e Vail (pra onde fui no verão do ano passado), então muitos famosos esquiam aqui. Tom Cruise tem uma casa aqui, e a Jennifer Aniston estava esquiando aqui essa semana... e não, eu não vi nenhum deles. O motivo? Estive por demais preocupada em não me quebrar inteira. Como assim? Uma palavra: snowboard.

Sim. Eu nunca fui particularmente adepta de esportes que demandam certa habilidade de equilíbrio. O máximo que consegui em minha juventude foi aprender a andar de bicicleta, fato do qual me orgulho muito visto que minha mãe nem isso faz (sim, é genético). Nada de andar de patins, ou skate, nem mesmo patinete. A única vez que tentei patinar no gelo foi um desastre. Eis que venho para o Colorado, e toda a família vai esquiar. Minha kid mais velha (fez 14 há dois meses) decidiu que queria algo diferente, pois que esquiar já se tornou por demais monótono e sua miserável vida. E logicamente que, a Amanda que não sabe nada de nada, decide a acompanhar em suas aulas de snowboard. Pra quem vai ter que começar do zero de qualquer forma, pensei, esquiar ou tentar o snowboard, qual a diferença? Ledo engano. Agora eu sei porque ninguém mais se dispôs a acompanhá-la.

Resumindo a cena, passei 3 dias caindo de bunda e esperando a queda que finalmente me levaria ao hospital e acabaria com meu sofrimento. Minha libertação veio só ao final do terceiro dia (minha última aula), quando finalmente caí tão feio que eu não conseguia mais andar. Sabe aquele osso chamado cóccix? Sim, aquele pertinho da sua bunda, o qual é necessário para se sentar? Se eu não o fraturei, cheguei muito perto. Finalmente tive que tirar o snowboard do pé e caminhar (= me arrastar) até o teleférico, de volta ao acampamento e à minha cama, onde tive uma noite meio de dor meio de alívio. Pelo menos as aulas acabaram. 

Vejam bem, foi uma experiência (literalmente) inesquecível. É uma coisa emocionamente estar na neve pela primeira vez, e ainda mais tendo a chance de aprender um esporte tão "cool". Sigo pensando que meus hosts são pessoas especiais, de um coração muito grande. Mas não era pra mim. Passei os últimos dois dias meio em casa, meio às compras, e ainda me diverti um monte, em meio ao chocolate quente e os livros. A única coisa não tão boa da viagem é que hoje é véspera de Ano Novo, e essa data nos Estados Unidos é totalmente entediante. Nada de pessoas vestirem branco, irem dançar na praia e trocarem felizes votos o dia inteiro. Não. Aqui eu quase tive que trabalhar hoje à noite enquanto os pais iam jantar em um restaurante. Minha sorte foi que não encontraram reservas disponíveis em nenhum restaurante decente, então resolveram comprar champanhe e fazer chicken cordon bleu, caso contrário eu ia jantar era pizza congelada (argh!). Se eu não estivesse na viagem, poderia passar o Ano Novo com meus amigos de The Woodlands, e seria bem mais divertido. Mas a vida é assim. Aqui tive uma oportunidade que eu dificilmente poderei bancar nos anos vindouros, e preciso admitir que gosto de passar tempo com minha host family. Depois de mais de um ano e meio com eles, a gente se apega. Não tem como, eles são pessoas muito legais. Ainda que às vezes eu fique feliz de passar um dia sozinha na casa enquando todo estão esquiando, mas isso é inevitável: meu lado anti-social, como diria minha mãe, precisa de uma atenção às vezes.


Um Feliz 2012 à todos, nos falamos no ano que vem :)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Merry Christmas!!!



Lá estava eu, procurando o que escrevi no Natal passado no blog, até que descobri: nada. Não tem nenhum post em Dezembro de 2010. O motivo? Essa época do ano é tão atrapalhada, com as minhas kids em casa o dia inteiro (as tais férias de inverno) e presentes pra comprar, o feriado a planejar, enfim, tanta coisa, que no ano passado a data passou em branco aqui no blog. Não esse ano.

Primeiro eu gostaria de dizer que o Natal é a época mais difícil pra mim. E pelo que sei de minhas amigas, é uma data meio chata pra qualquer au pair. Não que eu não esteja feliz de passar o Natal nos EUA, mas cá entre nós, família é família. Sinto falta de arrumar minha casinha no Brasil com os velhos enfeites de sempre. Dos amigos ligando e mandando cartões de Natal. De ir com minha mãe no mercado pra comprar o perú. Coisas bobas sim, mas que fazem a gente se sentir em casa.

Agora, na minha host family o Natal é bem parecido. Os avós virão pra cá na véspera, e vamos ter a ceia na véspera e o almoço no dia. Vamos todos trocar presentes e tal. Ai, os presentes. Sempre me embananei pra comprar os ditos presentes, mas a verdade é que eles têm tudo, então o preço não importa. Concluí após muitos aniversários e festas que o que vale é eles perceberem que a gente se importa. Então eu comprei presente pra todo mundo, pequenas lembranças mas que sei que vão deixá-los contentes. Para os avós, resolvi tirar uma foto das meninas segurando cartazes de Merry Christmas, e vou colocá-las em porta retratos e dar pra eles. Uma pequena lembrança, como eu disse, mas que faz a diferença. Até o cachorro ganha presente aqui, mas pra ele eu não comprei... tadinho, mas ele é o único que sei que não vai se chatear...

Esse ano decoramos a casa e tudo está lindo. Tirei fotos da árvore de Natal, que é natural (eles compram e colocam no capô do carro pra trazer pra casa, que nem nos filmes, é uma graça!!!). Tirei algumas fotos da decoração da casa e coloquei aí embaixo do post. Ah, e só pra registrar, fui para Nova Iorque final de semana passado, e quero fazer um post sobre a viagem (até por isso falhei escrever no blog semana passada) mas nos próximos posts coloco detalhes sobre minha viagem!!!







segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Sobre as horas extras


É incrível como essa questão financeira não sai da minha cabeça no final do ano. Acho que também não é por menos: com o Natal chegando, é hora de pensar nos presentes que quero dar e viagens que ainda quero fazer. Fica nos pensamentos aquela pulguinha... ah como eu queria poder fazer um dinheirinho extra.

Todas as au pairs escutam da agência que é proibido fazer hora extra, porque o programa de au pair tem como objetivo o estudo. Daí que depende da au pair e da host family se vão querer honrar o sistema ou não. Alguns pontos objetivos:

Conversar com a família ANTES de fechar, e deixar todos os pontos bem claros. Minha família sempre disse que não pagaria nada extra, porque eles realmente não têm necessidade de trabalho extra. Muitas famílias já quando estão fechando com a au pair avisam que vão precisar que a au pair trabalhe a mais. Nosso horário é de 45 horas semanais, então, queridas au pairs, sejam inteligentes e:

1. Fechem o valor ANTES  de trabalhar. Você não vai querer ralar 4 horas a mais na tarde de sábado e descobrir só depois que decidiram que vão te pagar 5 dólares por hora. Quando pedirem para trabalhar a mais, nada de vergonha: abra a boca e pergunte, ponha os pingos nos is. Trabalho não negociado é trabalho mal pago.
2. Quanto cobrar? Isso vai depender da família e do lugar onde você mora. Aqui no Texas é comum que se pague 10 dólares por hora. Não é muito, principalmente quando você já trabalhou as 45 horas da semana e já está a ponto de querer trancar as crianças no banheiro e fingir que estão dormindo. Algumas meninas recebem mais, 15 ou até 20 dólares pela hora extra, por isso é sempre bom conversar com alguma au pair da localidade e perguntar qual é a média que se cobra.
3. Quando a hora deve ser paga como hora extra? Bom, querida au pair, a única coisa que posso aconselhar aqui é que você tenha muito bom senso e combine isso com sua família ANTES. O que eu acho justo é: se você trabalhar mais que as 10 horas máximas por dia, o que fizer a mais é extra e deve ser pago como tal.
4. Outra coisa: as horas devem ser contadas por semana. Como assim? São 45 horas semanais no máximo, certo? Então se chegar Domingo à noite (a semana começa na Segunda pra mim) e você trabalhou 40 horas naquela semana, não é por isso que vc pode trabalhar 50 horas na semana seguinte (45 + 5 da semana passada). Porque digo isso? Uma amiga minha trabalhou durante um mês assim, algumas semanas trabalhou 60 horas, outras trabalhou 35, ou 40. A host dela juntou tudo, calculou quanto ela deveria ter trabalhado no mês, e, enfim, minha amiga recebeu muito menos do que esperava e ficou muito frustrada. Por isso, acertem tudo exatamente como deve ser  ANTES.
5. Não se esqueçam que, caso tenham um problema com o pagamento de horas extras, ninguém vai te ajudar, porque o pessoal da agência não permite e não vai te apoiar em nada se você tiver algum problema em receber essas horas extras. Portanto, sejam espertas e não deixem para resolver os detalhes depois que você já trabalhou: resolvam antes. Você evita frustrações e é mais feliz.

Se tiverem histórias para contar postem aqui, é sempre legal escutar a experiência de outras meninas!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O salário de uma Au Pair: é possível sobreviver?

Respondendo às perguntas da Raíssa, resolvi fazer esse post. Uma das grandes dúvidas quando se começa a pesquisar sobre o programa de Au Pair é se com o salário de $195.75 dólares semanais dá para ter uma vida digna. Mais uma vez, vou falar da minha experiência.
Dá pra viver sim, muito bem. Mas não sem esforço. Tudo vai depender de seu planejamento. Alguns fatores que acho importante comentar:

-A host family. Esse é um fator que vai pesar. A minha família nunca me paga hora extra, o que aliás é proibido pelo programa. Acho que vou fazer o próximos post só sobre isso, porque esse lance de hora extra dá pano pra manga. Mas, em resumo, minha experiência é a de uma au pair que pode contar com os (quase) duzentos dólares por semana e nada mais.
-Os benefícios que a família vai te dar. Por isso repito sempre: a escolha da host family é MUITO importante. Eu, por exemplo, tenho um tanque de gasolina por semana. Em geral, dá pra dirigir a semana toda (e olha que dirijo quase mais que caminhoneiro) e pra sair bem no final de semana. A minha host family paga academia pra mim. Também muitas vezes ganho ingressos pra ir em jogos. E algumas vezes me levam pra viajar com eles, o que tem sido muito bacana, porque como minhas meninas são mais velhas eu praticamente não trabalho nas viagens. E ainda tenho celular pago, sem restrições de ligação ou mensagens (exceto para o exterior, é claro).
-Considere também que a família vai pagar todas as contas. Você não terá nenhuma despesa fixa.

Agora, algumas outras coisas a se considerar:
- Não é sempre q tem aquela comida gostosa em casa. Você vai sentir necessidade de sair para comer de vez em quando (pelo menos umas duas vezes por semana) ou comprar algo no supermercado.
-Considere que você paga seus produtos de higiene pessoal. Shampoo, condicionador, pasta de dente, etc.
-Talvez você tenha que pagar sua academia. Aqui você consegue uma excelente por 35 dólares por mês.
- Sair não é barato. A cerveja long neck custa em geral 5 dólares, bebidas com vodka custam 10. Cinema? 10 dólares nos fins de semana. Comer fora? 10 a 15 dólares nos restaurantes mais baratos. Se a grana está curta, dá pra alugar filmes por 1 dólar na Reddbox. Passeios nos parques são de graça rs

E por fim, você vai ter que guardar dinheiro para viajar e fazer compras :) E dá pra fazer isso com tranquilidade se você se planeja. Quando eu cheuguei aqui, fiquei meio doida com todas as lojas e promoções do mall. É natural a Au Pair sair comprando tudo o que vê. Depois de um tempo a gente aprende a pesar os gastos, e vê no que vale a pena gastar e no que não vale. Mas isso é um critério que cada uma constrói conforme passam os meses. Se alguém ler isso algum dia, o melhor conselho que posso dar é: tente não comprar roupas, acessórios e eletrônicos nos primeiros dois meses. Vá a muitas lojas, veja os preços e a qualidade, que depois de um tempo você aprenderá a ter critério.

Se surgirem dúvidas, comentem aqui que respondo assim que possível!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Reflexão ao pé da mesa

Hoje almoçando eu tive um momento de epifania. Estava elaborando minha sobremesa, um dos melhores momentos do dia. Com a restrição de poder usar só os alimentos que tenho em casa devido à pão-durice que a vida como au pair exige, é necessário desenvolver um certo sentido de criatividade na hora de comer. Pois bem, como sobraram algumas panquecas que fiz para o café da manhã, eis no que resultou minha criação: panquecas, cerejas escuras (dark cherries) e chocolate syrup. Olhando para minha obra, digna de uma foto (pena que não tirei, a fome foi mais rápida), minha boca enchia d'água só ao pensamento de iniciar a degustação. O prato ficou lindo, daqueles de se comer com os olhos. Uma garfada depois, a decepção. Não era ruim. Eu podia diferenciar o açúcar do syrup do sabor das cerejas, e a textura das panquecas dava um equilíbrio. Mas não era a maravilha que a figura prometia ser.
O sentimento de frustração me caiu surpreendentemente familiar. E então entendi. Quando cheguei nos Estados Unidos, o choque foi enorme. No lugar onde moro, a cidade é pequena, toda planejada, construída no meio de uma floresta de árvores. Tudo é lindo. As pessoas são bem vestidas, os jardins bem cuidados, as crianças loiras de olhos azuis correm na rua sem medo. Tudo parece perfeito e exatamente como deveria ser.
É só depois de um certo tempo que conseguimos desenvolver uma percepção das entrelinhas. Só então nos atentamos para o fato de que aqui as crianças tem problemas de drogas nas escolas. Aqui também casais se divorciam. Aqui também pessoas se suicidam. Aqui, os famosos cupcakes são lindos, mas na primeira mordida temos que tomar cuidado para não travar com todo o açúcar do icing. Aqui, as pessoas também roubam e são assaltadas. E depois da primeira mordida, finalmente percebemos que não há lugar perfeito ou paraíso terrestre. O que existe são sua crença, família, bons amigos, e escolhas. O resto, é só fotografia.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Meu Halloween 2011

Para quem passou o último Halloween doente e de cama, não posso reclamar, esse ano foi bem melhor. Ainda que meio gripada, consegui sair no sábado à noite em Houston, e é muito divertido ver todas as pessoas fantasiadas andando na rua, é uma festa geral! Como o Halloween esse ano caiu na segunda-feira, todos os lugares celebraram a festa no sábado. Daí minha frustração: eu achava que ainda teria mais festa na segunda. Conclusão: minhas amigas ou estavam doentes, ou em aula, ou presas no trânsito, ou qualquer coisa menos disponíveis pra saírem de casa comigo. Mas tudo bem, ainda que meio frustrada, consegui entregar os doces para as crianças que batiam na porta. E que fofos! Quando a gente vê aqueles projetos de gente tocando a campainha e vestidos de power rangers, princesas, e por aí vai, não tem jeito: o coração derrete. E foi uma delícia! Além disso, o pessoal da vizinhança se juntou na rua e fizeram uma confraternizaçao entre todo mundo antes da criançada sair para o trick or treat. Muito legal, exceto que descobri que não conheço um quinto dos meus vizinhos. Anotação mental: ser au pair é não saber quem são seus vizinhos porque a maioria nem quer saber quem é a nanny da família. Me senti total peixe fora d'água e entrei em casa. Depois de comer, é claro.
Como não tinha companhia à noite, saí pela vizinhança tirando fotos das casas e das decorações, uma lacuna que ficou no ano passado e da qual consegui me livrar esse ano. Meus queridos, enjoy :)

Muitas casas têm decorações que brilham a noite

Detalhe para o vampiro dentro da carruagem que ficava entrando e saindo do caixão, um barato!

Aranha iluminada - era grandona, gente

Cemitério

E pra fechar com chave de outro, todos os primos do Casper :)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Uma volta pelo Outlet - reflexões na fila do caixa

E vamos ao tema "compras"! Estive pensando como o dinheiro nos EUA tem um valor muito diferente do que no Brasil. Sim, porque aqui as coisas são em geral mais baratas. Quando eu cheguei aqui convertia tudo o que via em dólares para reais, naquela conta besta dos 2 reais para 1 dólar. E por isso achava algumas coisas muito caras. Mas aí vamos a uma reflexão: para pensarmos no custo de vida em um país, é preciso pensar na moeda local. Como assim? Se quero refletir sobre o custo de vida nos EUA, temos que pensar que as pessoas ganham aqui em dólares. Vamos dizer, assim como um técnico vai receber cerca de 2000 reais no Brasil, aqui ele vai ganhar 2000 dólares, e por aí vai.

Então, aí é que vem a diferença: aqui as coisas são de fato muito mais baratas. Falo em termos de Texas, que é um Estado normalmente mais barato que os outros. Um galão de leite, que são quase 4 litros, custa 3.50 dólares. Um galão de gasolina, 3 dólares. Eletrônicos, então, nem é preciso comentar. Sim, até o carinha que trabalha na loja de conveniência do posto de gasolina pode comprar um IPad com uma certa economia, já que aqui custa míseros 500 dólares. Preços de carro? É melhor não comentar, assim ninguém chora nem se arranca os cabelos ao ver o absurdo de imposto que estes itens recebem ao ser importados para o Brasil.

E como se não bastasse, eles ainda têm outlets. Sim, onde você encontra aquela roupa ARRASAREI por 20 doletas. Muitas vezes por menos. Não é à toa que muitas meninas têm uma dificuldade imensa de guardar dinheiro para viajar ou para o que for: para quem está acostumado a pagar seus 100 reais por um vestidinho, entrar numa loja como a Pólo é colocar uma criança sozinha numa loja de doces - vai dar em desinteria.

Não vou mentir: têm lojas mais caras em outlets. Lojas como a Calvin Klein simplesmente não se encaixam no orçamento de uma Au Poor nem com seus 40% OFF. Um conselho? O mais difícil de todos: não compre só porque está barato. A onda capitalista pega aqui até as meninas mais obstinadas em relação às finanças. Então, proponho o seguinte: pense que, se você voltar para o Brasil, vai ter que colocar tudo nas malas. TUDO. Então, compre coisas que você AMOU de paixão, aquela paixão arrebatadora que te tira do salto. E geralmente, essas paixões custam caro. E o que vale mais: 10 regatas de 5 doletas da Forever XXI ou aquela blusa arrasadora da DKNY? Preze pela qualidade, não pela quantidade. E boa sorte.